E além desse encobrimento a nível interno, Portugal mentiu também aos seus parceiros na Comunidade Europeia. É possível que o primeiro caso português tenha sido em 1990, altura em que um bovino em Oura (Chaves) começou a apresentar sintomas de “alteração de comportamento, medo, ansiedade, agressão e hipersensibilidade cutânea”.
Foi, como se vê, há apenas uma década que o céu desabou em cima da cabeça do consumidor comum: a carne, literalmente a “vaca sagrada” da alimentação moderna, estava louca...
A primeira questão a ser levantada foi: passará essa doença para o consumidor, o ser humano? Claro que os lobbys envolvidos avançaram com o argumento do costume: “não está provado que haja perigo”!
Com isto tentam esconder que eles é que precisam provar que não há perigo. Como medida de cautela, os governos desaconselharam o consumo de vísceras, mas a questão continua a pôr-se em relação à carne e inclusivamente também, segundo alguns, em relação aos outros produtos e subprodutos animais.
Não estão só em causa os bovinos, já que formas equivalentes da encefalopatia espongiforme bovina foram também descobertas noutros animais alimentados com rações. Este é um problema que só há uma década foi detectado, mas levará muitas mais até revelar todas as suas consequências.
Já desde há muito, os profissionais do sector da saúde natural assim como variadas entidades privadas e oficiais, têm vindo a alertar para outras graves questões em torno da carne e outros alimentos animais.
Lembremos que Carlos Pimenta, enquanto eurodeputado, foi o responsável por um relatório sobre a qualidade da carne, que o levou a viajar por toda a Europa, a estudar em profundidade toda a rede de produção, conservação, distribuição e comercialização da carne na Comunidade. O que viu foi de tal forma desolador que o levou a “ tornar-se praticamente vegetariano” (afirmações proferidas num programa de televisão de grande audiência).
E Carlos Pimenta não se referia só, nem principalmente, ao problema das vacas loucas. Que dizer das hormonas de crescimento, usadas intensivamente e cujos circuitos de mercado negro a polícia não consegue deter? E os antibióticos, regularmente administrados aos animais em doses sub-terapêuticas com a alimentação e que vão criar no consumidor (que os absorve também) resistência aos antibióticos, quando um dia vierem a ser eventualmente necessários? E toda a outra panóplia de químicos presentes nas rações prejudiciais tanto para o animal como para o ser humano ?
O Consumidor informado procura alternativas e a Próvida sugere as seguintes a quem pretende deixar de comer carne, ou pelo menos variar um pouco mais a sua dieta alimentar.
SEITAN É muitas vezes chamado também carne vegetal dado que, com alguma experiência, é possível cozinhá-lo de forma a que tenha o sabor e a consistência da carne, com todas as vantagens de conter fibras e não ter gorduras saturadas. Obtido, por um processo simples e artesanal, a partir da farinha de trigo contem principalmente o glúten (que é uma proteína) daquele cereal. É também rico em minerais, já que na sua fase final é cozido em tamari ou shoyu (molhos de soja naturais).
TOFU É muitas vezes chamado também queijo de soja porque é feito a partir da soja a que se junta o nigari, substância natural concentrada de minerais (principalmente magnésio) e que aqui faz o papel coagulante do cardo nos queijos de leite animal. É muito rico em proteínas e de fácil digestão. Revela-se extremamente saudável, versátil na culinária e delicioso em múltiplas e variadíssimas receitas, não só no prato mas também em sopas, saladas, sandes, etc. e até sobremesas.
GRANULADO DE SOJA É prático porque tem um tempo de conservação longo, podendo ser guardado em casa para qualquer emergência. Leve e fácil de transportar, torna-se um produto muito popular e de grande aceitação. Alimento proteico muito usado em croquetes, hambúrgueres e outros pratos em que se pretenda imitar receitas de carne. Para isto contribui o facto de estar disponível como granulado fino e grosso, com a garantia de não ser geneticamente modificado.
CHOURIÇO E FARINHEIRA DE SOJA É surpreendente o sabor tipicamente português deste produtos. No entanto não contêm carne de qualquer tipo, sendo esta substituída, respectivamente, por farinha e granulado de soja enriquecidos pelos condimentos que ao longo de gerações moldaram a nossa cultura gastronómica. Com eles podem confeccionar-se, sem qualquer desvirtuamento de sabor, receitas como feijoada e caldo verde, entre muitas outras.
SALSICHAS Das quatro variedades disponíveis, duas são à base de tofu (e com ingredientes provenientes de agricultura biológica) e outras duas à base de outras proteínas vegetais. São alimentos muito práticos porque já vêem prontas a consumir podendo proporcionar tanto rápidas como elaboradas opções culinárias: grelhadas, fritas, em saladas, em aperitivos, no pão, em omelete, etc. |